Miguel Bonneville | ciclo retrospectivo 2004 — 2025 ‘Sentiste a minha falta?’

Miguel Bonneville | ciclo retrospectivo 2004 — 2025 ‘Sentiste a minha falta?’
Gaivotas Em Terra

Miguel Bonneville

Miguel Bonneville | ciclo retrospectivo 2004 — 2025 ‘Sentiste a minha falta?’

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Reservas: €

Miguel Bonneville fez música, vídeos e apresentou performances e espetáculos nos mais variados contextos nacionais e internacionais, tendo exposto desenho, pintura e fotografia em galerias, museus, livrarias e outros espaços não convencionais. Por razões diversas, no ano em que celebraria vinte anos de trabalho, deu um passo atrás e afastou-se. A festa ficou por fazer.

A história podia ficar por aqui. No caso de Miguel Bonneville, o Teatro Praga propõe-se a alterar o curso dos acontecimentos, não tanto para celebrar, mas antes para relembrar e resistir. Reconhecendo a importância do seu trabalho ficcional a partir de pressupostos autobiográficos bem como a pluralidade de formas através das quais este se materializa, o Teatro Praga, em parceria com as companhias Cão Solteiro e Plataforma 285, convidou o artista para ser o Artista do Bairro de 29 de setembro a 8 de novembro e fazer uma residência artística e criativa no espaço do Cão Solteiro . residências 120 e na Rua das Gaivotas 6. [mais informação sobre a programação Artista no Bairro 2025 aqui]

Em paralelo ao programa Artista no Bairro, acolhemos neste mês de Outubro a retrospectiva ‘Sentiste a minha falta?’. Nela, incluem-se diversas atividades, como a ocupação da Rua das Gaivotas 6 por parte do Teatro Praga, para uma exposição de diversos trabalhos plásticos de Miguel Bonneville, realizados entre 2009 e 2022, que poderão ser vistos entre 14 e 25 de outubro. No dia da inauguração, será lançado também um livro inserido no projeto editorial da companhia em parceria com a Sistema Solar, onde se encontram reunidos os textos escritos e criados para o projeto A importância de ser, projeto esse concebido por Miguel Bonneville entre 2013 e 2022. Importa ainda referir que, no dia 17 de outubro, no Festival Folio, em Óbidos, haverá um segundo lançamento deste mesmo livro.

Além disso, em parceria com o Festival Temps d’Images, o Teatro Praga apropria-se e apresenta três reenactments de três trabalhos performativos do mesmo artista na Rua das Gaivotas 6: teatro #2, de 2005, por Cláudia Jardim; mb #6, de 2008, por Diogo Bento; mb #6, de 2018 por André e. Teodósio. Estas performances, com a duração de cerca de uma hora cada, serão apresentadas de 15 a 25 de outubro: quarta, quinta e sexta-feira às 20h. Aos sábados, as performances começam às 17h, uma vez que serão as três apresentadas de seguida no mesmo dia.

Por último, no dia 20 de outubro, ao final da tarde, Miguel Bonneville apresentará a sua proposta de Menu de Artista, em mais uma rúbrica da Rua das Gaivotas 6, onde falará sobre arte e iguarias.

No fim, se sobrevivermos, talvez haja então uma festa. Se não houver, pelo menos escreveram-se e fizeram-se outras histórias.

Exposição retrospectiva
‘Sentiste a minha falta?’

14 — 25 out

Inauguração: 14 out, 18h
+ lançamento do livro ‘A importância de ser – antologia

Horário: ter—sáb. | 15h — 19h
— Entrada livre

Nesta exposição retrospectiva reúnem-se obras apresentadas em diversas exposições individuais e colectivas entre 2009 e 2025. abrangendo vários formatos e linguagens – como desenho, fotografia, colagem e cerâmica –, estas peças pertencem tanto a colecções privadas como ao arquivo pessoal do artista.
Exposições:
family project – abuse (2009)
a collection of self-portraits (2010)
morgue (2012)
when this kind of fire starts (2013)
ilha (2013)
o fim e o rapto (2014)
não sou um homem, sou uma montanha (2015)
family project – ensaios de santidade (2019)
pacto (2022)
agonia no jardim (2025)

Apresentações do livro
A importâcia de ser – antologia

14 out, 18h 
Rua das Gaivotas 6, Lisboa

17 out
Festival Fólio, Óbidos

“a importância de ser foi um projecto serial e multidisciplinar, desenvolvido entre 2012 e 2022, que teve como ponto de partida as vidas e obras de artistas e pensadores cuja influência foi fundamental ao longo do meu percurso – pessoal e artístico. durante dez anos dediquei-me à investigação de figuras como antónio de macedo (2012-2013), simone de beauvoir (2013-2014), agustina bessa-luís (2014-2016), paul b. preciado (2016-2017), georges bataille (2018-2019), alan turing (2019-2020), e marguerite duras (2021-2022) – estabelecendo ligações profundas com cada uma delas, integrando as suas filosofias, os seus pensamentos, métodos de criação, e modos de navegar o mundo, oferecendo perspectivas criativas, e inevitavelmente subjectivas, sobre os seus legados.
diluí-me, sem esforço, nos seus respectivos universos. de repente, eu já fazia parte deles. e foi a partir dessa consciencialização que comecei a desenvolver esta série.
fazendo então já parte dos seus universos, os passos seguintes foram intuitivos; como um actor do método, fiz pesquisas pormenorizadas e obsessivas, procurando entrar o mais possível numa imersão total nas suas vidas – não com o objectivo de construir personagens realistas, ou de narrar as suas biografias, mas de fazer transbordar as suas existências através do meu corpo. sendo que corpo para mim são tanto moléculas, células, carne, ossos, pêlos, fluidos, como papel, tecido, tinta, plástico, luzes, imagens em movimento…
une-as, a estas figuras, a criação das suas próprias regras, a resistência ao convencionalismo, dentro de sociedades que, mesmo vendendo-se como promotoras da igualdade, da liberdade e da fraternidade, se mantiveram, até hoje, repressoras, punidoras e restritivas.
os textos aqui reunidos começam na terceira obra da série, a importância de ser agustina bessa-luís, uma vez que, para a primeira, a importância de ser macedo, utilizei textos que eram apropriações de outros textos. ou seja, textos que não foram escritos de raiz. e, por isso mesmo, pensei que ficariam deslocados neste livro. com a importância de ser simone de beauvoir, segunda obra da série, optei por não utilizar a palavra, e por isso não escrevi durante o processo criativo. foi a partir d’a importância de ser paul b. preciado que comecei a publicar edições de artista – livros que dão acesso a parte das minhas investigações, a citações, apropriações, processos, pensamentos, sentimentos, imagens. textos para serem lidos em voz alta, ensaios diarísticos, diários ensaísticos, imersões nos territórios abrangentes de desconhecidos que se tornaram amigos íntimos.
para além de reunir textos já publicados, acrescentam-se a este livro também textos inéditos – como os que foram escritos para a importância de ser agustina bessa-luís, em parceria com os criadores diogo bento e tiago vieira, e ainda outros escritos para performances, conferências e revistas.
decidi também juntar aos textos as listagens técnicas das obras, que servem como evidência de todas as pessoas envolvidas na criação das mesmas, e sem as quais não teria sido possível fazê-las. e que podem servir ainda como recordatório de que todos os formatos de apresentação que utilizo estão interligados, informam-se mutuamente, fazem parte de um todo, embora possam ser desfrutados separadamente.”

Ciclo de reenactments de performances
pelo Teatro Praga

(co-prod. Festival Temps d’Images)
15 — 25 out
Bilhetes nos canais do Temps d’Images

Quarta, Dia 15 › 20h
 – teatro #2, de 2005, por Cláudia Jardim
Quinta, Dia 16 › 20h – mb #6, de 2008, por Diogo Bento
Sexta, Dia 17 › 20h – mb #6, de 2018 por André e. Teodósio
+
Sábado, Dia 18 › 17h – teatro #2, de 2005, por Cláudia Jardim; 18h15 – mb #6, de 2008, por Diogo Bento; 19h45 – mb #6, de 2018 por André e. Teodósio
Quarta, Dia 22 › 20h – mb #6, de 2018 por André e. Teodósio
Quinta, Dia 23 › 20h – teatro #2, de 2005, por Cláudia Jardim
Sexta, Dia 24 › 20h – mb #6, de 2008, por Diogo Bento
+
Sábado, Dia 25 › 17h – mb #6, de 2018 por André e. Teodósio; 18h40 – mb #6, de 2008, por Diogo Bento; 20h15 – teatro #2, de 2005, por Cláudia Jardim

teatro #2 (2005)
reenacted por
Cláudia Jardim

prefácio é o título que bonneville atribuiu a uma série de performances realizadas entre 2003 e 2006. estas apresentações, quase sempre únicas, dispensavam ensaios e assumiam uma estética crua e inacabada. bonneville considera esta série como um prefácio à sua obra posterior, funcionando como uma introdução à sua linguagem artística.
nesta performance, tal como em estudo para um manifesto (apresentada em maio do mesmo ano), bonneville decidiu ter como base a improvisação. inspirou-se nas ideias que tinha sobre o que era teatro e o que significava ser actor, antes de entrar para a escola de teatro – via ambos como um processo ancorado numa exploração de cariz documental, onde o actor fazia de si mesmo em vez de criar uma personagem. em teatro #2, bonneville improvisou durante uma hora — duração de uma cassete miniDV — diante de uma câmara em modo nightshot, enquanto o público assistia à projecção da filmagem em tempo real.

mb#6 

 

série miguel bonneville (2006-2012) — conjunto de performances autobiográficas e alegóricas que exploram as complexidades das narrativas pessoais. como capítulos de um livro, cada uma das suas nove partes (de #1 a #9) aborda temas como o amor, a perda, a identidade, a sobrevivência, a morte e a transformação. entre investigações pessoais sobre dinâmicas familiares e questões mais amplas sobre normas sociais e papéis de género, a série propõe um olhar simultaneamente pessoal e ficcional sobre o que nos forma, através de uma indagação profunda sobre identidade, relações afectivas e percursos individuais.
mb#6 propõe uma imersão autobiográfica centrada nas questões da identidade e da amizade. bonneville colaborou com várias mulheres que marcaram o seu percurso pessoal e artístico, convidando-as a partilhar as suas histórias sob a forma de retratos em vídeo – reflectindo sobre o que significa ser mulher, adulta e artista. em palco, bonneville dobra em directo estes testemunhos, criando um retrato colectivo que procura transcender a ideia de individualidade. uma década após a estreia, bonneville voltou a apresentar a performance, numa nova versão, em 2018.
mb#6 (2008)
reenacted por Diogo Bento

 

co-criação: sofia arriscado, joana craveiro, joana linda, rita só, cláudia varejão, sara vaz.
na primeira versão da performance, bonneville entrevistou seis mulheres que tinham vários pontos em comum, em especial uma abordagem autobiográfica à arte. esta afinidade tornou-se um dos focos centrais da performance, juntamente com questões sobre a infância, experiências de vida, perspectivas sobre feminismo, religião e morte
mb#6 (2018)
reenacted por André e. Teodósio

 

co-criação: isadora alves, joana craveiro, isabela figueiredo, maria gil, carlota lagido, joana linda, mariana sá nogueira, rita só, cláudia varejão, sara vaz.
na versão de 2018, bonneville entrevistou cinco das seis mulheres que participaram na versão anterior, acrescentando ainda cinco novas entrevistadas. manteve-se o mesmo formato de apresentação: vídeo-retratos com dobragem ao vivo, unificados sob uma só voz. a performance retomou temas como: identidade, biografia e intimidade, alargando o foco a temas como o amor, o medo e a morte.

Miguel Bonneville (Porto, 1985): artista transdisciplinar que cria obras autoficcionais, centradas na desconstrução e reconstrução da identidade, explorando questões de género, morte e espiritualidade. O seu trabalho combina múltiplas linguagens artísticas, incluindo escrita, música, vídeo e performance. Desde 2003, tem apresentado o seu trabalho nacional e internacionalmente, sobretudo os projectos seriados Family Project, Miguel Bonneville e A Importância de Ser.

Recebeu o Prémio da Rede Ex Aequo (2015) pelos espectáculos Medo e Feminismos, em colaboração com Maria Gil, e A Importância de Ser Simone de Beauvoir.

Estudou Interpretação na Academia Contemporânea do Espectáculo (2000-2003), tendo complementado os seus estudos com os cursos de: Artes Visuais na Fundação Calouste Gulbenkian/Programa Criatividade e Criação Artística (2006), Autobiografias, Histórias de Vida e Vidas de Artista no CIES-ISCTE (2008), Arquivo – Organização e Manutenção no Citeforma (2013), Cyborgs, Sexo e Sociedade na FCSH (2016), e Filosofia e Arte na Mute (2017), entre outros.

Recebeu bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Nacional da Cultura – Jovens Criadores, da Câmara Municipal do Funchal – Bolsa de Criação Artística/Escrita e do programa Culture Moves Europe.

Fez parte da Direcção Artística do Teatro do Silêncio (2018-2023), e do núcleo de artistas representados pela Galeria 3+1 Arte Contemporânea (2009-2013) e pela estrutura de dança contemporânea Eira (2004-2006).

Realizou filmes e vídeos como Camera Obscura (2023), Um medo com duas grandes faces (2022), Traça (2016), A landscape of failure (2008), entre outros. E teve financiamento do Apoio à Escrita e Desenvolvimento de Obras Cinematográficas 2021 – ICA para desenvolver o argumento da sua ideia original para longa-metragem de ficção Paisagem com pássaros amarelos (2021-2023), com produção da Cedro Plátano.

Publicou os livros: Os diários de C.C. Rausch (Corpos Editora, 2006), Ensaios de santidade (Sr. Teste, 2021), O pessoal é político (Douda Correria, 2021), Livro do Daniel e outros textos (Urutau, 2024), e ainda as edições de artista Jérôme, Olivier et moi (Homesession, 2008), Notas de um primata suicida (2017), e, pelo Teatro do Silêncio, Dissecação de um cisne (2018), Lamento do ciborgue (2021), Recuperar o corpo (2021) e Câmara escura (2022).

Contribuiu com vários textos para as revistas portuguesas Flanzine, WrongWrong, Dobra, Cine Qua Non, e Faces de Eva, e ainda para a revista brasileira Periódicus, entre outras publicações.

Foi artista residente no Sítio das Artes, CAMJAP/Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 2007), Homesession (Barcelona, 2008), Mugatxoan/Fundação de Serralves (Porto, 2010), Festival Transeuropa2012 (Hildesheim, 2012), Arts Printing House (Vilnius, 2013), Arte y Desarrollo (Madrid, 2014), e La Box (Bourges, 2018), entre outros.

O programa Artista no Bairro, iniciado em 2018 pela Rua das Gaivotas 6, pelo Teatro Cão Solteiro e pela Plataforma285, pretende contribuir para o aumento da visibilidade de criadorxs através de uma bolsa de 4500€ e de um mês de residência partilhado entre o Cão Solteiro e a Rua das Gaivotas 6, bem como ampliar o alcance da atividade artística produzida na zona geográfica onde se situam estas três estruturas.

O programa Artista no Bairro já apoiou criadorxs como Daniel Pizamiglio e Romain Beltrão Teule, Batata, Maurícia | Neves, Ana Libório, Tita Maravilha, Truta no Buraco e Natacha Campos.