Síncrono | Do registro ao fluxo é um projeto processual que coloca em intercepção o desenho (registro) e a performatividade (corpo).
O desenho emerge ancorado em dois essenciais pólos de criação, o primeiro induz os registros no campo da efemeridade e o segundo estende-se na utilização de materiais e matérias de caráter não extractivista, reciclagens, oferendas, recolha e respigação em processos de deriva. No território performativo, intento a abertura para lugares de pesquisa e de experimentação onde o gesto é veículo, neste caso, a partir do ato da construção dos desenhos.
A performance e os dispositivos arquitetados manifestam-se como se de códices se tratassem, em ações Ritualísticas, perspectivando uma cerimónia composto por segmentos vivamente sob escuta e atenção pluriprisma. Figuras, glifos, sinais e símbolos em tons arancio compõem narrativas não lineares de uma espécie de árvore genealógica em bruto, que por e na falta de entendimento/veracidade é convocada a intuição como salvação.
O tempo é, neste projeto, visto e desejado como presença viva, pulsátil, cósmica, mutável, de carácter espiral e não assente na qualidade da velocidade ou andamento, mas sim no propósito circunstanciado e circunstante que de si e por si também concerne o acaso, o erro e o inesperado.
Após o término das ações, da diluição e da ausência do performer, os objetos expositivos permanecem fruindo do lugar como rizomas, celebrando a crucial presença de cada frequência (espectador).