Nina, Nina resulta num pequeno retrato ficcional de Nina, personagem fulcral na obra “A Gaivota” de Anton Tchékhov, que tenta dialogar com o nosso tempo. Por outro lado, há uma Nina ficcional do nosso tempo que tenta dialogar com o tempo da Nina da obra. A Nina do nosso tempo, não tem tempo. A Nina da obra deseja que o tempo acelere. Ambas sentem repulsa pelo tempo em que habitam.

Assiste-se à frustração de vontades contrárias, tanto a partir das personagens, como da ironia dos intérpretes perante a sua própria condição, num tempo onde coabitam demasiados tempos para se entenderem. No entanto, o tema do amor é imune a discordâncias. É o grão intemporal.

Seremos sempre Ninas, de um tempo ou de outro. Seremos sempre Ninas.