O cabelo louro como imagem, objecto que permite transportar para o mundo palpável as intenções de um realizador pronto a provocar no público uma pretendida reacção, majestosamente moldando a percepção dos seus espectadores, também eles objectos nas mãos do “mestre do suspense”.

Hitchcock Blondes caracteriza-se por uma experiência estética que tem a sua maior influência no universo do cineasta e mestre do suspense Alfred Hitchcock. O título remete para o louro Hitchcock, um tom presente em muitas das suas actrizes, uma cabeleireira loura que alimentava as fantasias do realizador, não só estéticas como também, muito possivelmente, sexuais. Seria um fetiche de natureza perversa especialmente evidente no seu comportamento com Tippi Hedren, actriz cujo nome perdurou no tempo pela sua participação em “The Birds” de 1963. O seu testemunho revela um comportamento obsessivo e doentio por parte do realizador.

Esta “experiência estética” apresenta uma separação entre as cores preto e verde. O preto inspirado na icónica silhueta de Hitchcock e o verde em “Vertigo” de 1958, no qual o realizador descobriu o grande potencial dessa cor na criação de ambientes oníricos, ao mesmo tempo que destacava perversamente o louro feminino como algo sagrado.

Para além do aspecto visual definido, este acto teatral é potenciado por uma banda sonora original inspirada no incrivelmente reconhecível tema musical de Bernard Herrmann em “Psycho” de 1960. O espectador será assim remetido para a célebre, violenta e visualmente bem concretizada cena que o público dificilmente esquecerá.