Water Closet: Um Projeto de Higiene para o Futuro
Catarina Campos Costa, Francesco Napoli, André Loubet, André Pollux
Este projecto nasce do confronto entre o estudo de uma série de decretos de lei integrados no Código Civil, Código Penal e, essencialmente, no Código de Direitos de Autor e dos Direitos Conexos, com aquele que será um discurso especulativo sobre o direito de propriedade que um indivíduo tem, ou pode ter, sobre o seu corpo e a sua propriedade intelectual.
Water Closet é nome do lugar criado no “Projecto de higiene para o futuro” no ano 2019. A decisão de higienizar o mundo foi tomada e hoje todo o mundo é uma casa-de-banho. Estamos em Water Closet, uma cidade no futuro.
A narrativa é simples: A B C
A e B estão numa relação amorosa. A sente que B está a roubar-lhe a identidade. B percebe que não autêntico portanto contrata C para mudá-lo, transformá-lo, criar-lhe uma nova identidade, uma identidade autêntica. C é uma espécie de cirurgião plástico que além de alterar corpos também altera personalidades. Depois da operação C apaixona-se pela sua “obra de arte” – o corpo e personalidade de B – e reclama os Direitos de Autor / Direitos Conexos sobre a sua existência. O que acontece a B? Como pode existir sem os direitos da sua própria existência? Ao fugir de uma cópia sofre também ele um furto, porque C também quer um pedaço!
Recriando, reproduzindo e copiando, a palavra “Originalidade” é substituída pela palavra “Autenticidade”. Invertemos a regra para falar sobre ela. Estamos em Water Closet, uma cidade no futuro.
Copy, transform, combine.
E porque falaremos de citações aqui fica uma das nossas preferidas. Citamos Julian Rosefeldt que coloca Cate Blanchett a citar Jim Jarmusch que cita Jean Luc Godard que por sua vez cita … “Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is nonexistent. And don’t bother concealing your thievery—celebrate it if you feel like it. In any case, always remember what Jean Luc Godard said: “It’s not where you take things from—it’s where you take them to.”
Todos os participantes deste projecto serão elementos criadores do objecto artístico.
Co-criação: Catarina Campos Costa, Francesco Napoli, André Loubet
Apoio à criação: Bernardo Almeida
Som: Miguel Dias
Video: André Pollux
Com o apoio: Fundação GDA
Agradecimentos: Rua das Gaivotas 6, Polo das Gaivotas, Hermann Novus Indústria Têxtil, Bernardo Chatillon, Isabel Sarsfield Rodrigues, António Marques Moura, João Mota
Agradecimentos a todos os Berliners entrevistados: Lucas, Manuel, Elizabeth, Andrew, Hanna, Marcus, Otto, Emiliano, Alejandro, Sander, Uwe, Dodzi, Stephanie and Arnaud
Foto © Salvador de Almeida Fernandes, in 'Lisboa de Antigamente.' / Palácio Alarcão [c. 1952]
André Loubet
Formado na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Academia Contemporânea do Espectáculo. Frequentou ainda um workshop de práticas teatrais com Rogério Carvalho. No teatro, trabalhou com encenadores como Jorge Silva Melo (Obstrução, Morte de um Caixeiro Viajante, Do Alto da Ponte), Luís Miguel Cintra (Ilusão), Ana Libório, Jorge Andrade e Diogo Dória, em colaborações com companhias como Artistas Unidos, Teatro da Cornucópia, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Viriato e Mala Voadora. Na televisão, participou nas séries Obscuro Domínio (RTP) e A Prisioneira (TVI), bem como no telefilme A Rapariga da Máquina de Filmar. Em 2020, integrou o elenco de Glória de Tiago Guedes, série produzida pela SPi e RTP para a Netflix, com realização de Tiago Guedes. Desenvolve ainda trabalho em locução, destacando-se a participação no programa de animação Café Central (RTP). O seu percurso cruza teatro clássico, contemporâneo e audiovisual.
Projectos
— Water Closet: Um Projeto de Higiene para o Futuro — (2019)
André Pollux
Designer e performer visual especializado em palcos musicais. Já operou visuais para artistas como Fafá de Belém, DJs como Sven Väth e festivais como NOS Alive, Neopop, Time Warp e Awakenings. Também dá aulas de VJ e realiza projetos de video mapping para galerias e eventos culturais, como Bienal de Arquitetura e Virada Cultural de São Paulo, além marcas como Absolut, Nokia e Puma.
Projectos
— Water Closet: Um Projeto de Higiene para o Futuro — (2019)
Foto © Salvador de Almeida Fernandes, in 'Lisboa de Antigamente.' / Palácio Alarcão [c. 1952]
Catarina Campos Costa
Nasceu no Porto em 1990 formou-se na Academia Contemporânea do Espectáculo (2009). Completou o primeiro ano de Filosofia na Faculdade de Letras do Porto (2012) e é licenciado pela Escola Superior de Teatro e Cinema em Teatro – Ramo de Actores (2017). Trabalhou com companhias como Teatro do Bolhão, Cornucópia e Artistas Unidos. É, neste momento, estagiário do Teatro Nacional Dona Maria II.
Projectos
— Water Closet: Um Projeto de Higiene para o Futuro — (2019)
Foto © Salvador de Almeida Fernandes, in 'Lisboa de Antigamente.' / Palácio Alarcão [c. 1952]
Francesco Napoli
(Salerno, Italia, 1984). Licenciou-se na School of Dramatic Arts “Paolo Grassi” em Milão, e continuou os seus estudos com Marcela Serli, Claudio Morganti, Michele Di Stefano, Deflorian / Tagliarini and Paola Lattanzi. Como performer participou em festivais como: Torino Danza, Biennale Danza, Short Theater, Vetrina XL Giovane Danza d’Autore, Drodesera Festival, Danae Festival, XXVI e mais recentemente na Ecole des Maitres (edição 2017). Actuou em “Fault Lines”, uma retrospectiva de Allora / Calzadilla promovida por The Nicola Trussardi WATER CLOSET UM PROJECTO DE HIGIENE PARA O FUTURO Criação colectiva BIOS Foundation. Participou também como bailarino nos eventos de moda: “Borderline” de Virginia von zu Furstenberg; “Dance Cross, fashion art and design” e “Seipersei” de Antonio Marras. Do seu trabalho com Chiara Caterina em 2015, nasceu o Collettivo Bon Voyage (Sparks, selected at 69th edition of Cannes Festival – Short Corner). Uma prática multidisciplinar entre vídeo, performance e instalação, que questiona as fronteiras entre géneros. Colabora regularmente com o coreógrafo Francesco Marilungo (Milão), The OHT Companies – Office for a Human Theater e Dispensa Barzotti . No seu trabalho como artista a título individual, interessa-se sobre o balanço entre a expressão do corpo e o discurso falado teatral, procurando, assim, uma identidade que possa integrar o conceito de Performance Contemporânea na sua totalidade. Procura uma dramaturgia individual que possa conter as suas paixões, a sua formação profissional, e o seu interesse em arquitectura, cinema e arte contemporânea.
Projectos
— Water Closet: Um Projeto de Higiene para o Futuro — (2019)