Matilda Carlota é uma ópera-performance onde a decadência ganha dimensão de glamour.
Nesta peça o público é convidado a sentar-se na condição de voyeur/paparazzi, a olhar para dentro de um cenário que simultaneamente lembra o barroco e a casa da avó.
Matilda Carlota está em cena. Uma entidade andrógina, grávida, diva em decadência. Esta diva repete um ritual de chá distorcido e imprevisível, preparando a sala para convidados que não chegam nunca. Enquanto o chá de cebola é preparado, Matilda canta em jeito de lamento uma ária antiga de Giacomelli composta para castrati, acompanhada ao piano pelo seu mais leal servidor. O piano soa ligeiramente desafinado e o canto vem impregnado de melancolia.