Querido público,
isto não é uma carta de amor. E muito menos uma carta de guerra. Nem sequer é uma carta. É um espetáculo incompleto. Para o que nos havia de dar! Toda a gente sabe que não se faz espetáculos incompletos. E por isso preciso de ti. (chora) Mas preciso que mudes. (chora mais) Tenho tantas saudades tuas, se tu soubesses! (chora ainda mais) Nunca saberei escrever este texto se nunca me leres. AESTETIC**—-GOIU—- REL–H ACCIÓN*+++++CHOI+++++PUB—«««««%%EA%%%$$”””1”#$%&()=?»W*C* *AIUOESCOIEJHESEACOU! Discurso disruptivo, aí está. (sorri) Hoje vamos mudar de posição. Estou farto de me amar e a nostalgia é bafienta. (sorri mais e mata alguém) Hoje vamos reconfigurar, vamos redefinir. Amar um outro lugar – reabitar, será essa a palavra. Corpo, lugar. (casa-se) Acabou-se a anacronia, neste espetáculo nada nem ninguém é privado: novas relações, sítios ainda não reconhecíveis. (deita-se e coça a virilha) Quero muito ver -te e que me vejas, quero ver se já cresceste. Se já te emancipaste, tas a ver a cena? (beija um cisne) O voyeurismo ganha sempre, não é? O mesmo espelho negro para o qual tu olhas é o mesmo que te vê e perscruta, que é igual a dizer: que te vigia. Torna-te imagem e faz-te miragem, és produto de masturbação e carne para canhão. (despe um vestido cor de chuva) Rehab baby, é o som de uma partitura partilhada: nós. Ser ou não ser, já não é refrão. Toca. Toca-me e depois chateamo-nos. Toca-me e foge. Vamos acabar com este binómio. (divorcia-se) Ampliá-lo, aliás. A lilás. A azul. A prateado. A verde. A todas as cores. (desce da teia uma cortina marisol) Querido público, eu e tu, temos apenas um nome nas várias existências, um terceiro género: Rehab. ()