Há momentos em que tudo nos parece possível. Algo acontece e logo imaginamos desenlaces com a mesma facilidade com que sonhamos o mundo. Mas entre imaginação e cálculo, entre potência e possibilidade, há a distância de um espaço feito de forças sem forma e tempos sem medida. Permaneçamos na imaginação dos possíveis e logo perceberemos que, mais do que a forma ou o número das coisas, o que nos ocupa é a sensação de pertença. Pertencemos ao mundo mas, mais do que isso, a uma memória. Vivemos ocupados por ela e com ela nos ligamos ao que lhe diz respeito. Uma pertença incomensurável, uma profundidade sem fundo, para além dos limites da possibilidade. Mas também o mundo avança para além do nosso desejo, como possível. E nós avançamos com ele, mais ou menos frustrados. Não cabe ao mundo cumprir com o nosso desejo mas cabe-nos a nós sonhar como pudermos. E de proposição em proposição imaginar o que podemos.
Proposições
Carlos Manuel Oliveira
Coreografia e performance: Carlos Manuel Oliveira
Apoio à criação: Incubadora D’Artes (Santarém), Programa Artistas em Residência (Montevideo), GEN – Centro de Artes y Ciencia (Montevideo), Centro de Referência da Dança de São Paulo, Teatro Baden Powell – Prefeitura do Rio de Janeiro
Apoio à circulação e internacionalização: Fundação GDA, Fundação Calouste Gulbenkian, DGArtes – Direcção-Geral das Artes | República Portuguesa – Cultura
Carlos Manuel Oliveira
Coreógrafo, curador e investigador. Começou a produzir trabalho coreográfico em nome próprio em 2017 com “do desconcerto, por um lado / da aventura, por outro”, a que se seguiu a série “Proposições” (2018), “Criarei apenas o que não consigo imaginar” (2019), “por um lado / por outro” (2021), “Trapézio” (2021) e “Fátuo” (2021). É co-curador do programa “Dança Não Dança” da Fundação Calouste Gulbenkian, e curador do programa “Falar as Danças” dos Estúdios Victor Cordon. Doutor pelo Programa UT Austin | Portugal com a tese “Objectos Coreográficos: Abstracções, Transducções, Expressões” (2016) e Bacharel em “Dança Contemporânea: Coreografia e Contexto” pela Universidade de Artes de Berlim (2010), frequentou os cursos: “Artes Performativas Interdisciplinares” da Fundação Calouste Gulbenkian (2008), “Criatividade Ciêntífica e Investigação Artística” do AND_Lab (2011) e “Symposium de Práticas Artísticas” da Associação Mezzanine (2017). Foi investigador associado do Colab UT Austin | Portugal (2010-2011), do Centro Inter-Universitário de Dança de Berlim (2013-2014), do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (2010-2016) e, nesta mesma universidade, do Grupo de Investigação Performance e Cognição do ICNova (2019-2022). Foi coordenador nacional do sector de teatro do INATEL (2005), director artístico do “Novo Circo do Ribatejo”(2004-2007), Professor Adjunto de Estudos dos Média no Instituto Superior de Tecnologias Avançadas de Lisboa (2015-2016) e Professor Adjunto de Corpo e Movimento na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa (2019-2020). São exemplos de publicações suas: “Nexus at the Limits of Possibility” (Cambridge Scholars Publishing, 2016), “Coreografias Digitais: Problema e Potência” (Interact, 2018), “Choreographic Transductions Across Media” (Sinais de Cena, 2020), “Genealogias da dança enquanto prática artística em Portugal” (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2020) e “Diagramming a Timeline of Dance” (Routledge, 2023). É sócio-fundador das Associações Cotão (2006) e Apneia Colectiva (2019) e artista associado da Associação Parasita desde 2019, que co-dirige. Entre outras práticas somáticas, é estudante da Técnica de Klein desde 2007.
Projectos
— Proposições — (2018)