Há momentos em que tudo nos parece possível. Algo acontece e logo imaginamos desenlaces com a mesma facilidade com que sonhamos o mundo. Mas entre imaginação e cálculo, entre potência e possibilidade, há a distância de um espaço feito de forças sem forma e tempos sem medida. Permaneçamos na imaginação dos possíveis e logo perceberemos que, mais do que a forma ou o número das coisas, o que nos ocupa é a sensação de pertença. Pertencemos ao mundo mas, mais do que isso, a uma memória. Vivemos ocupados por ela e com ela nos ligamos ao que lhe diz respeito. Uma pertença incomensurável, uma profundidade sem fundo, para além dos limites da possibilidade. Mas também o mundo avança para além do nosso desejo, como possível. E nós avançamos com ele, mais ou menos frustrados. Não cabe ao mundo cumprir com o nosso desejo mas cabe-nos a nós sonhar como pudermos. E de proposição em proposição imaginar o que podemos.