… Num jardim zoológico, olhamos para um leão dentro de uma jaula. Tiramos o leão e colocamos em seu lugar o quadro Guernica de Picasso. Estamos a olhar para a Guernica de Picasso dentro de uma jaula. Tiramos a jaula e o zoo e colocamos um deserto. Estamos a olhar a Gernika de Picasso num deserto. Tiramos o Gernika e colocamos um museu. Agora, estamos a olhar o museu sobre um deserto. Tiramos o deserto e colocamos Amy Winehouse. Vemos a Amy Winehouse a entrar numa das salas do museu. Tiramos o museu e colocamos um microfone com um bar ao fundo. Estamos, então, a ver a Amy Winehouse diante de um microfone com um bar ao fundo. Tiramos Amy Winehouse e colocamos Fidel Castro falando incansavelmente em espanhol. Isso quer dizer que estamos a ver o Fidel Castro a falar diante de um microfone em frente a um bar. Tiramos o bar e colocamos a Casa Branca. Olhamos o Fidel Castro a falar diante de um microfone em frente à Casa Branca. Tiramos Fidel Castro e a Casa Branca e colocamos um cemitério em frente ao atual presidente dos Estados Unidos. Estamos a ver Donald Trump falando em espanhol diante de um microfone em frente a um cemitério. Imediatamente tiramos sua voz e ele fica ali gesticulando mudo diante de um microfone. Logo tiramos Donald Trump e o cemitério e colocamos uma pessoa qualquer e um pavilhão vazio iluminado com lâmpadas fluorescentes. Colocamos nessa pessoa um cocktail de pensamentos divergentes e tiramos o microfone e o pavilhão. O que resta é um corpo gesticulando, carregado de pensamentos divergentes, flutuando em algum lado….
Praia
Colectivo Qualquer, Carolina Campos
Ideia, coreografia e performance: Coletivo Qualquer: Luciana Chieregati e Ibon Salvador + Carolina Campos
criação de luz: Leticia Skrycky
Produção: Asociación Artístico Cultural Luciérnaga
Fotografia: Gurutz Gonzalez
Figurino: Coletivo Qualquer
Apoios: Azala Kreazio Espazioa, Departamento de Cultura del Ayuntamiento de Bilbao, Atelier RE_AL, Residencia de Creación en La Fundición, Camara Municipal de Lisboa e Polo Cultural Gaivotas Boa Vista
Esta peça foi subvencionada pelo Departamento de Educação, Política Lingüística e Cultura do Governo Basco.
Carolina Campos
1978. Caxias do Sul (BR). É brasileira e atualmente reside em Lisboa. É licenciada em Comunicação e pós-graduada em Fotografia. Começou a trabalhar com dança em 1998 na Cia Municipal de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, tendo-se mudado para o Rio de Janeiro em 2007 onde foi bailarina da Lia Rodrigues Cia de Danças até 2011. Tem especial interesse em estar envolvida com diferentes modos de colaboração e em perceber como estes processos atravessam os objetos artísticos. Neste sentido tem colaborado e desenvolvido experiências com artistas nacionais e estrangeiros, dos quais destaca Cláudia Dias (PT), Calixto Neto (BR), Ivan Haidar (AR), Sezen Tongus (TUR), Julia Salaroli (BR), Marcia Lança (PT) e Coletivo Qualquer (ES/ BR). Desde 2012 colabora com João Fiadeiro nas diversas plataformas que este desenvolve, desde a formação e investigação a partir da Composição em Tempo Real, passando pela programação do Atelier Real, ou na criação coreográfica. É intérprete e co-criadora da última peça do coreógrafo “O Que Fazer Daqui Para Trás”. Trabalha atualmente enquanto assistente e ensaiadora da peça “O Limpo e o Sujo” de Vera Mantero.
Projectos
— Praia — (2018)
Colectivo Qualquer
Luciana Chieregati e Ibon Salvador (BR-PAÍS VASCO)
O Coletivo Qualquer nasce em Lisboa no ano de 2008 a partir do encontro entre os coreógrafos e investigadores Luciana Chieregati (BR) e Ibon Salvador (ESP). Luciana é formada em dança pela Universidade Anhembi Morumbi e Ibon é formado em Belas Artes pela Universidade do País Basco. Ambos são mestres em Práctica Escénica y Cultura Visual pela Universidade Castilla La Mancha, em colaboração com o Museo Reina Sofia. Seu interesse centra-se na elaboração de peças de dança em cruzamento e intersecção com a filosofia contemporânea. Elaboram trabalhos limítrofes que dialogam com o cotidiano, investigando, sobretudo, novas linguagens a partir da coreografia. Desde 2013 se afincam em Bilbao onde desenvolvem os projetos coreográficos OVER, Huts–Artean, GAG, Lecturas Irreparables e It was a large room.
Projectos
— Praia — (2018)