As imagens que os trabalhos de Diana Carvalho e de Pedro C. Paiva nos oferecem são imagens que se abrem a uma observação do mundo para lá do concreto. Ou naquilo que se encontra entre o mundo conforme e aquele que seria um outro tão concreto quanto disparatado.
Apresentam-nos objectos – em todo o caso, concretamente, objectos: esculturas, desenhos, instalação site-specific, som – que por sua vez, se oferecem como imagens. (E numa outra camada, imagens que comportam outras imagens).
Esta é uma leitura em possível estratificação e que em si, tal como aquilo que lê – os objectos-imagens em “Para fora deste mundo não podemos cair”* – tem a qualidade daquilo que se abre ao possível. A mesma qualidade de criação ideativa dos recursos expressivos como a sinestesia, a metonímia e a imagem.
* O título desta exposição é uma apropriação de “Para fora deste mundo não podemos cair” (Freud, O mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à psicanalise e outros textos (1930-1936), trad. Paulo César Lima de Souza, 2010, p. 15), parafraseando Christian Dietrich Grabbe em Hannibal, 1835.