Ângela Ferreira
Ângela Ferreira, nascida em 1958 em Maputo, Moçambique, cresceu na África do Sul e obteve o seu mestrado em Belas Artes na Michaelis School of Fine Art, da Universidade da Cidade do Cabo. Vive e trabalha em Lisboa, onde obteve o seu doutoramento em 2016. Acredita na educação como uma contribuição política para a sociedade e continua a lecionar em Portugal (Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa) e em Moçambique. A prática multidisciplinar de Ferreira centra-se no impacto contínuo do colonialismo e do pós-colonialismo na sociedade contemporânea, uma investigação conduzida através de uma pesquisa aprofundada e da destilação de ideias em formas concisas e ressonantes. A contribuição desta prática artística reside na construção de um discurso artístico descolonial sólido e não panfletário. A fonte dos seus materiais de referência arquivísticos triangula frequentemente os três países da sua história pessoal: África do Sul, Moçambique e Portugal, em obras como Zip Zap Circus School (2000-2024). As suas obras mais recentes centram-se numa construção mais positiva de uma identidade africana. As suas obras escultóricas, sonoras e videográficas prestam homenagem a figuras inesperadas como Peter Blum, Carlos Cardoso, Ingrid Jonker, Jimi Hendrix, Jorge dos Santos, Diego Rivera, Miriam Makeba, Jorge Ben Jor, Angela Davis, Forough Farrokzhad, Gustav Klucis ou a historiadora moçambicana Alda Costa. Estas obras mais recentes têm vindo a fazer referência constante à história económica, política e cultural do continente africano, ao mesmo tempo que valorizam o trabalho e a imagem de figuras que constituem modelos a seguir inesperados.
Representou Portugal na 52.ª Bienal de Veneza, em 2007, dando continuidade às suas investigações sobre as formas como o modernismo europeu se adaptou — ou não — às realidades do continente africano, traçando a história da «Maison Tropicale» de Jean Prouvé.
Projectos
— Old School #41 — (2016)