Depois de aceitar o convite para escrever este texto, percebi logo que estávamos a falar de uma coisa que nenhum pintor fala, ou pelo menos não é muito comum ouvirem-se pronunciar acerca da hesitação, ou do medo.

A dúvida, ou “o não saber para onde se vai a partir dali”, pode ser um factor potenciador de uma certa imobilização mais ou menos prolongada. Mas uma vez tomada a decisão que conduz ao gesto, a Mariana luta por uma aceitação. Diz que aceitar exige uma respiração.

Pelas suas palavras: “Havendo decisões das quais desconfiamos, aprendemos a lidar com estas de uma forma que nos permita respirar – aceitamos, e acreditamos que o único caminho possível foi o que tomámos.”

Esta exposição foi pensada tematicamente, utilizando cada pintura como metáfora para a maneira como seres humanos lidam com o arrependimento ou com a falta dele, com a hesitação ou com a brutalidade de uma convalescença.

O acto certeiro de como estas pinturas foram desenhadas, a convicção que se subverte na tinta, naturaliza as figuras com um tom irónico e displicente, ao ponto daquelas ganharem uma vida própria: o ambiente lúdico que se medeia por entre aquelas interacções. 

“Acolhendo um pouco de ironia, os humanos representados nestas pinturas divertem-se com as decisões que tomaram.”

 

Ricardo Marcelino