Ébrio é um corpo. “silencioso indiferente”, como diz Botto. Não tem muito para dizer. Ébrio está nesta sala e vai dar-se a conhecer. “Febril, quase louco” no seu estado alienado, sem memória das convenções que perdeu.
Ébrio parte do conceito de ébrio, proposto por Botto, numa leitura diferente de estar embriagado. Ébrio é uma proposta de atordoamento da realidade, onde os condicionalismos de género e corpo foram embriagados, de tal modo que já não se conseguem manifestar.
Ébrio é um corpo. Ébrio utiliza o corpo e o seu movimento para questionar as convenções pré-estabelecidas e propõe um estado ébrio em que essas convenções perderam a importância. Em cena estão três corpos que se questionam e que são questionáveis. Que querem perder herança de significados atribuídos aos seus corpos.
Estas três figuras servem-se de um dispositivo espacial que dilui os papéis de público e performer.