O trabalho de Lucrezia é sobre encontros com ela própria: com o seu corpo e com a textura deste, com a sua forma; ou com outra pessoa, ao relembrar o momento em que esse encontro aconteceu e revelando-o. É sobre a intimidade e a intimidade partilhada. É sobre o amor. Uma história de amor. Onde o encontro, o sexo, a obsessão, o abandono, a dor e o prazer são os seus elementos principais. Como o título sugere, a exposição Don’t Believe in Modern Love (Não Acredites no Amor Moderno) é uma reflexão sobre os relacionamentos na nossa sociedade contemporânea e Ocidental. No começo do novo milénio, o filósofo e sociólogo polaco Z. Bauman cunhou a metáfora da solidez e da liquidez para caracterizar o que significa ser moderno na nossa condição atual. De acordo com Bauman, nós vivemos num tempo de interregno, no qual as velhas certezas como o emprego, o casamento, a religião, a família, estão a ser veementemente postas em causa. Num presente caracterizado pela mudança constante, elas parecem ser inapropriadas e castradoras; enquanto as novas maneiras de lidar com os desafios da vida moderna aparentam ser demasiado efémeras, esperanças trêmulas com as quais não podemos contar. A ideia da exposição e dos seus trabalhos gira em torno da tentativa de mediar a possibilidade de encontrar um equilíbrio entre os nossos desejos de liberdade e de estabilidade, de liquidez e de solidez, em relação a uma “cara-metade”.