De bOca Cheia integra uma pesquisa continuada da artista sobre o tema do falhanço de alguns modos de comunicação. Esta experimentação é uma performance que contempla duas peças-objetos que acontecem em sequência, com estruturas similares, cujo dispositivo cénico toma emprestado o conceito das artes visuais de díptico: uma dobra que contenha duas imagens relacionadas. A primeira peça-objeto centra-se sobre uma gestualidade normalizada do discurso, nomeadamente político e, em certa medida, masculino. O ovo na boca contém implícita uma crítica a alguns modos de comunicação, nomeadamente às mensagens “ocas”, vazias, ditas para não serem compreendidas; ao falar de boca cheia; ao dizer e não dizer nada; a não possibilidade da fala ou um entupimento da mesma. A segunda peça-objeto aborda a normalização de certa gestualidade e imagem  do feminino, construída pelos meios de comunicação. A partir do falhanço de uma comunicação e da pesquisa de gestualidades e imagens normalizadas, esta performance faz uma travessia através do corpo e do som, transmutando para outras possibilidades gestuais-imagéticas e des-discursivas.