“Cervical Kid” não é mais uma peça sobre a memória do corpo, mas antes um manifesto em prol da amnésia. O quadrado estrutura formalmente esta coreografia cujo processo se inspira na lógica da música improvisada, presente ao vivo sob a forma de quarteto: Luísa Brandão (voz), Bruno Parrinha (sopros), Monsieur Trinité (percussões) e Rogério Pires (guitarra preparada). Com a atitude da primeira vez, de inabilidade para o fazer, a ideia de dança oscilar entre a imobilidade total que cede lugar à dimensão coreográfica dos músicos e a fusão entre o movimento e a dimensão cénica da peça, assumida antes de mais como uma performance cujo segredo não se pretende desvendar.