Começámos pela rotina, an ecology of mind em torno de detalhes que caracterizam as improvisações no campo da dança e as improvisações no campo da música – um ensaio por mês, entre Janeiro e Dezembro de 2018, com um intuito meramente exploratório. O estúdio-casa-de-espelhos tornou-se motor de um capricho de descoberta alimentado por “improvisação”. A possibilidade da divisão dramatúrgica em doze meses potenciou a proliferação das imagens e da ficção, a partir de um mote de discussão – doze notas musicais, doze enunciados, doze composições, doze reflexões, doze espelhos de especulação na paisagem do pensar do pensamento. “12” passou a ser sinónimo de plural, uma pluralidade virtual, a imagem desdobrada garantindo a multiplicação de hipóteses e jogos jogados a partir de “uma dobra caprichosa”.
Há as quatro estações de Vivaldi, os 24 Caprichos de Paganini, os 80 Caprichos de Goya, os 12 meses do ano, a numerologia e um sem-número de signos zodiacais, ou não, nos quais não nos atemos. Há produção de imagens escolhidas, que tentam escapar a narrativas prévias, que tentam escapar à sugestão, à interpretação, à lógica linear dos sistemas simbólicos. Capricho #12, enquanto paisagem, deseja alimentar fractais identitários, projectando fantasias, expectativas, artifícios. Deseja narcisismo, espelhismo, especulação e reflexão, tenha ou não que recorrer ao espectáculo visual. Este processo é inspirado nos vídeos:
Third Tape de Peter Campus 1976, Why do Things Get in a Muddle (Come On Petunia) de Gary Hill 1984. Nos textos Through the Looking-Glass and What Alice Found There de Lewis Carroll 1871, e em “Fable” de Francis Ponge s.d. O resultado será uma dobra, ou o que sobra para lá da montagem de todo um conjunto de paisagens que vivem na operação poética de Capricho#12