Cão de sete patas é a peça que sucede o projeto nome de filme (2021), performance na qual Bibi Dória decora e descreve integralmente o filme brasileiro Copacabana Mon Amour, de Rogério Sganzerla. Ao assistir e memorizar o filme repetidas vezes, Bibi sentiu-se acompanhada por Sônia Silk, personagem de Helena Ignez. Numa cena, Sônia relata sonhos com homens-cobra, homens-leopardo e cães de sete patas. Após sonhar com o sonho dela, perguntou-se a si mesma: seria a personagem a invadir o seu inconsciente ou ela a entrar no seu mundo onírico?

 

Dessa questão nasce Cão de sete patas, estruturada em três eixos: performance e cinema, sonho e memória, documentário e ficção. Em diálogo com o Cinema Marginal Brasileiro, a obra convoca um corpo-arquivo que atravessa cenas de filmes, documentos históricos, sonhos pessoais e as perdas recentes de acervos no país, como o incêndio do Museu Nacional (2018) e da Cinemateca Brasileira (2021).

 

Criado de forma interdisciplinar e colaborativa, o processo reuniu diferentes artistas e inclui um filme em 16mm projetado em cena criado em colaboração com Maura Grimaldi. Conta com o desenho de luz e espaço por Leticia Skrycky em colaboração com Josefa Pereira.