De bodysuit apertado, Aloun Marchal e Henrique Furtado medem-se dos pés à cabeça, enfrentam o olhar, acampam no centro do palco e lançam um grito do fundo das tripas: o desafio está lançado. Face a face, numa proximidade simultaneamente cúmplice e provocadora, eles preparam-se. Exploram uma gama de sons e movimentos com registros detonantes, da luta aos jogos infantis mais impertinentes, dos borborigmos às canções mais doces, da simples expiração ao grito bestial. Mecanismos evolutivos levam os performers a irem cada vez mais longe nas suas práticas, deslocando os corpos e manifestando as gargantas. O pas de deux desliza da violência regulada ao prazer da sensualidade, que são ambos baseados (e isto é o mais perturbante) na escuta, na imitação e na troca de movimentos. Ao ritmo destas repetições, as vozes e os rostos, risonhos e cruéis, emaranham-se, equipam-se e competem. Henrique Furtado e Aloun Marchal estão finalmente prontos…
BIBI HA BIBI [Festival Temps d’Image]
Henrique Furtado Vieira, Aloun Marchal
Concepção e interpretação: Henrique Furtado P. Vieira e Aloun Marchal
Figurinos: Camille Rosa em colaboração com Rozenn Lamand
Apoio dramatúrgico: Céline Cartillier
Colaboração musical: Jerzy Bielski
Desenho de luz: Eduardo Abdala
Transmissão de cantos inuitas: Marie-Pascale Dubé
Transmissão de dança do ventre: Estela Ferreira
Transmissão de wrestling: Bruno ‘Hammer’ Brito
Co-produções: La Place de la Danse CDCN Toulouse / Occitanie (Toulouse/FR) no âmbito da rede “[DNA] Departures and Arrivals”, co-financiada Pelo programa Europa Criativa da União Europeia, Göteborg Dans & Teater Festival (Göteborg/SE), Atalante (SE)
Residências: Alkantara (PT), EKA Palace (PT), TPE de Bezons (FR), Théâtre Louis Aragon (FR), Ménagerie de Verre (FR), Vitlycke Arts Center (SE), La Briqueterie CDC du Val-de-Marne (FR)
Apoios: Fundação Calouste Gulbenkian (PT), Apoio Fundação GDA (PT), Spedidam (FR), Bolsa SACD Beaumarchais (FR), apoio à produção da SACD (FR), DRAC Ile-de-France (FR), região Västra Götaland (SE), Cidade de Göteborg (SE)
Administração e produção: Possibilitas (SE), Siège (FR)
Aloun Marchal
Aloun Marchal é , bailarino e coreógrafo e artista de improviso. Artista francês a viver em Gotemburgo, na Suécia. Em 2010, recebeu o segundo prémio do concurso de dança «Danse Elargie», realizado no Théâtre de la Ville (Paris), pela criação de «Gerro, Minos and Him», em colaboração com Roger Sala Reyner e Simon Tanguy. Em 2013, “Gerro, Minos and Him” recebeu o prémio de melhor peça de dança no festival Stuttgarter Tanz-und Teaterpreis. Em 2017, recebeu a bolsa de coreografia inovadora da SACD pela criação de “Bibi Ha Bibi”, em conjunto com Henrique Furtado. Desde 2018, é co-coreógrafo na companhia shonen, juntamente com Eric Minh Cuong Castaing. Em 2022 e 2023, recebe uma bolsa de trabalho da Konstnärsnamnden e da região VGR.
Aloun decidiu começar a dançar profissionalmente quando compreendeu que pensar não era suficiente. Nesse momento, sentiu que não era capaz de experimentar nada sem lhe dar um nome. Algo como um viajante incapaz de tirar os olhos do mapa.
Projectos
— BIBI HA BIBI [Festival Temps d’Image] — (2017)
Foto © Salvador de Almeida Fernandes, in 'Lisboa de Antigamente.' / Palácio Alarcão [c. 1952]
Henrique Furtado Vieira
Formado em engenharia de energia e meio ambiente, atualmente bailarino, performer e coreógrafo, vive em Lisboa. Efectuou a sua formação artística em várias instituições francesas (INSA de Lyon, Extensions – CDC de Toulouse, Prototype II e Dialogues III – Abadia de Royaumont). Desenvolve a sua prática artística principalmente entre a criação coreográfica e a colaboração como intérprete com vários artistas tais como Bleuène Madelaine, Eric Languet, Aurélien Richard, Céline Cartillier, Tino Sehgal, Salomé Lamas, André Uerba, Sofia Dias & Vítor Roriz, Ana Renata Polónia, Vera Mantero, Boris Charmatz e Tania Soubry. Pontualmente dedica-se à investigação, à pedagogia e à escrita em relação com a dança, em diferentes contextos e através de múltiplas parcerias (O Rumo do Fumo, Unlock Dancing Plaza, Ballet Contemporâneo do Norte, Colectivo 84, Comédias do Minho…), e mais recentemente tem estado envolvido como dramaturgista nas coreografias de Nicolas Hubert (Compagnie Épiderme) e de Giulia Arduca (Compagnie Ke Kosa). Fez a curadoria da segunda edição do projeto MATÉRIA, juntamente com Catarina Vieira e Josefa Pereira, organizando encontros, abertos à comunidade, com regularidade mensal, para a partilha de práticas artísticas.Os seus trabalhos são frequentemente criados em sinergia com outros artistas como em Bibi Ha Bibi, com Aloun Marchal, em Stand still you ever-moving spheres of heaven, com Chiara Taviani, ou em Morrer pelos Passarinhos, com Lígia Soares. Nos seus espectáculos / performances destaca-se a sobreposição de estilos e de géneros, a presença vocal na dança e o(s) espaço(s) da imaginação. Tem colaborado e apresentado o seu trabalho em instituições como Aerowaves, CDC Toulouse, Festival de teatro e dança de Goteborg, Festival Roma Europa, rede europeia DNA, Teatro Municipal do Porto, Festival Temps d’Images, Espaço do Tempo, CCB, entre outros.
Projectos
— BIBI HA BIBI [Festival Temps d’Image] — (2017)
— Morrer Pelos Passarinhos — (2024)