A Possibilidade de uma ilha é uma coleção de dispositivos que convocam o público a refletir sobre vários acontecimentos performativos cuja premissa é: the artist is not present.
Aqui a dicotomia conceptual entre o tempo presente do fenómeno e a ausência física do artista/da obra são o ponto de partida que une todas as peças propostas para este projeto, levando a interatividade do público com a obra a um lugar de questionamento sobre onde está assente a intencionalidade da arte: a obra é a intenção do olhar para um objeto ou é simplesmente o objeto exposto ao olhar do público?
As peças aqui apresentadas podem ser lidas como ilhas de acontecimentos que aparecem e desaparecem ao ritmo do leitor/espectador que, com a sua presença, faz emergir e submergir micro-eventos no macro-vazio exposto na galeria.
Numa tentativa de amplificação e disseminação da ideia de que o artista não está presente ou de que obra não está aqui, A Possibilidade de uma Ilha está em exibição em 4 cidades de 2 países diferentes ao mesmo tempo.
Este projeto é o resultado da colaboração entre a Terceira Pessoa, de Castelo Branco e a Darling Desperados, de Estocolmo, ambas estruturas de criação artística que têm feito caminhos muito próximos no que respeita à forma e ao conteúdo de alguns projetos.
Por um lado, as práticas intimamente ligadas às artes de palco, nomeadamente o teatro, bem como o constante movimento de questionamento desta disciplina, traz às duas estruturas uma relação de admiração mútua pela forma com que trabalham.
Os trabalhos que as estruturas têm desenvolvido nos últimos 3 anos, que abordam os universos do digital e do virtual, deram, por outro lado, força à efetivação desta parceria. Em A Possibilidade de uma Ilha, as estruturas desafiaram-se a trabalhar a performatividade do corpo – o analógico – em relação direta com a ausência da fisicalidade – o virtual. Este binómio vem desafiar a equipa artística a, mesmo estando fisicamente ausente, criar um conjunto de obras que ativem uma fisicalidade, uma presença e um presente, concretizando assim o desejo antigo de desenvolverem um projeto artístico juntas.