A cor preto tem 50 tons reconhecíveis. Comporta uma série de apropriações simbólicas que se foram transformando e tomando diferentes significados ao longo dos tempos. É uma cor de adjectivações antagónicas. Se por um lado o preto é a cor do protesto e do Anarquismo, é simultaneamente a cor do Fascismo. Até ao século XIX foi a cor das noivas, dado que o preto era o mais adequado para o aspecto negocial que envolvia qualquer casamento na altura. Preto é a cor associada ao mal, mas no entanto, é a cor clerical. Na Espanha da Inquisição, as pessoas vestiam-se de preto de forma a deixarem sobressair a expressão, sendo assim possível controlar qualquer movimento facial denunciante. O preto é também a cor da morte e do fim. Na natureza, todos os elementos, nos seus processos de decomposição, se transformam numa matéria negra. É a cor do medo nocturno. Preto é a cor utilizada para nomear a dita “matéria negra”, teórica, da Astrofísica. É a cor do vácuo. É também a cor do princípio de tudo.
50 Toneladas
Carlota Lagido
Concepção e direção artística: Carlota Lagido
Interpretação: Tiago Vieira, Antoine Pimentel e Carlota Lagido
Consultoria artística: José Capela
Assistência e apoio dramatúrgico: Pietro Romani
Design de cena, vídeo, fotografia: Antoine Pimentel
Sonoplastia e música ao vivo: Antoine Pimentel
Figurinos: Carlota Lagido
Design de luz: Nuno Patinho
Design gráfico: Joana Areal/Thisislove
Produção: Horta Seca
Apoio: O Lugar do Meio, ArteTotal, BCN, Mala Voadora, TAGV, Companhia Olga Roriz, Festival Temps d’Images, Citac, Missom, EIRA, Polo Cultural das Gaivotas / CML
Agradecimentos: António Amaral, André Uerba, Gonçalo Passos
Espectáculo financiado por Governo de Portugal – Ministério da Cultura / DGArtes
Carlota Lagido
Bailarina, coreografa, figurinista e artista visual. É desenhista de aves e outras naturezas. Estudou desenho na New York Academy of Arts. Tem uma pós-graduação em Design de Cena (figurinos) pela IPL -Escola Superior de Teatro e Cinema. Frequenta o Curso de Desenho da Natureza e Ilustração Científica, no MHN em Lisboa, com Pedro Salgado. Estudou dança clássica e moderna, na Escola Profissional do Ballet Gulbenkian e em Nova Iorque, no Peridance School.
Dançou com Meg Stuart, Francisco Camacho, Rui Horta e Joana Providência. O seu trabalho como coreógrafa tem características transdisciplinares, onde cruza o desenho e o vídeo com a prática performativa. Dos seus trabalhos destaca -notforgetnotforgive (1999-2025), Monster (2009), The importance of nothing (2012), Ro.Ger (2014) 50 Toneladas (2015), Jungle Red (2018), MINA (2020/2021), Mina, song of myself (2022), Silvestre (2022), Atlas (2024), projetos apoiados pela Dgartes e GDA. Faz a curadoria do ciclo de exposições de bailarinos e performers que desenham – Cérebro, olhos, mãos e papel nos Estudios Victor Cordon/Opart, em Lisboa.
É figurinista para dança, teatro e cinema desde 1988. Colaborou com Francisco Camacho, Tiago Cadete, Albano Jerónimo, Francisca Manuel, Clara Andermatt, Vera Mantero, Companhia da Chanca, Paulo Ribeiro, Nuno M Cardoso, Aldara Bizarro, Lúcia Sigalho, Rita Vilhena, Bruno Senune, Yael Karavan, Amélia Bentes, Francisca Manuel, Jo Castro, Maurícia Barreira Neves, Rui Catalão, Teresa Coutinho, Carlos Pessoa/Teatro da Garagem e Marco António Rodrigues/Teatrão, Teatro Mosca. Fez programação de atividades artísticas no espaço Eira em Lisboa, entre 2003 e 2011, desde formações, residências e apresentação públicas. Em 2022, fundou O Lugar do Meio- associação cultural e ambiental em Alfafar.
Projectos
— 50 Toneladas — (2015)