1 000 061.º ANIVERSÁRIO DA ARTE

A 17 de janeiro de 1963, Robert Filliou, membro do movimento artístico Fluxus declarou que, e curiosamente, no mesmo dia do seu nascimento, a arte celebraria um milhão de anos. Segundo o artista, a arte nascera no momento exacto em que alguém deixou cair uma esponja seca numa tina com água e pensou: mmmm!.

Desde então, artistas celebram este dia um pouco por todo o mundo, com festas, enviando arte-postal, promovendo (re)encontros, bailes, momentos de repouso, exposições, conversas, comes e bebes.

A 17 de janeiro de 1974, o artista multimédia Ernesto de Sousa organizou uma festa comemorativa do 1 000 011.º Aniversário da Arte, a primeira em Portugal, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) na companhia de Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Alfredo Pinheiro Marques, Armando Azevedo, João Dixo, Jorge Peixinho, Isabel Alves, Teresa Loff, Túlia Saldanha, entre tantes outres, para além de manifestações maoístas e de extrema esquerda à porta (umas a favor, outras contra esta coisa de amar e celebrar a arte!). Estávamos a três meses da revolução dos cravos e a cinquenta anos deste janeiro de 2024, onde queremos convocar musas, artistas e demais revolucionários a pensar a transformação da sociedade a partir do encontro, pegando

numa esponja, quiçá numa esfregona, e elevando a tina de água a sopa artística primordial do século XXI.

Para este dia prometemos um reencontro com George e Billie Maciunas e sua paixão inaudita pela poesia de Florbela Espanca em Our Project de Pedro Lobo, com música de Nuno Lobo e Agostinho Sequeira: uma meditação sobre o ato de tornar algo público enquanto um ato de amor; convidamos-vos de seguida a acordar a terra (e a alma) num ritual de raiva e de luto queer, uma preparação para a ainda distante primavera com bela, artista da Coreia do Sul com casa em Berlim que cruza a electrónica exploratória e o pungmul – uma vertente do folclore coreano que explora o teatro e a dança e as suas ligações às tradições agrícolas ancestrais. Para terminar a noite, deixem-se ficar. Repousar. Reparar. Cuidar do tempo. Juntem-se a um manifesto-performance de Daniel Pizamiglio com USOF e Afonso Gaspar e Miguel Oliva Teles… e… Primeiro Nada… Depois Nada… e por fim Zzz.