Ciclo
O Futuro Já Começou
Fev 2026 — Mar 2026
Tudo o que existe já começou antes. Apesar do pendor poético desta constatação, ela lembra-nos da responsabilidade inscrita em cada gesto quotidiano. A lata de refrigerante que abrimos hoje pode acabar no mar a destruir ecossistemas. Num único objeto coexistem múltiplas temporalidades: a do gole da bebida, a da sua produção, a da sua transformação no nosso corpo e a da decomposição da lata. Em 2026, a RG6 encontra-se também num cruzamento de tempos. Este ano, que marca o início das obras de melhoria do espaço, a RG6 apresenta-se com uma nova organização, estruturada em três ciclos temáticos anuais e acompanhada por uma publicação gratuita, o OFF_OFF.
O Futuro Já Começou o primeiro destes ciclos, explora a ideia de cruzamentos temporais através de diversas propostas. O tema surge, desde logo, nas exposições Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow, do Teatro Praga, um ciclo em que a companhia inaugura seis exposições diárias na última semana de fevereiro. Manifesta-se também nas repetições até ao caos de Futuras Coisas, de Carla Gomes e Valéria Martins; em Murmúrio das Formas, do coletivo MEF, que parte da obra de Edward Weston para especular sobre o presente; e na exposição retrospetiva do trabalho das Toupeiras, apresentado durante dez anos consecutivos na descida da Avenida da Liberdade, no 25 de Abril. A mesma questão atravessa ainda o trabalho site-specific Equinócios, que Tiago Vieira tem vindo a desenvolver ao longo do último ano numa realidade da malha urbana marcada por individualidades e complexidades diversas. Por fim, projeta-se no entendimento do futuro através dos filmes propostos pelo novo cineclube Echoes. São muitas novidades num só trimestre de tanta desgraça!
Porque planear o futuro implica, assim, estar tão atento ao passado quanto viver plenamente o presente, conscientes de que aquilo que fazemos hoje pode repercutir-se noutros lugares e tempos. Poluição? “Não, obrigadoooooo” como cantava a Lena d’Água. Ou, pelo menos, non troppo. Este ecossistema é-nos suficiente. O futuro já começou. Para o continuar, contamos convosco.