O DECLIVE E A INCLINAÇÃO / Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins

O DECLIVE E A INCLINAÇÃO / Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins
01/11/2015 Rua das Gaivotas 6

O DECLIVE E A INCLINAÇÃO

Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins

5 E 6 DE NOVEMBRO | SÁBADO E DOMINGO | 21H30 | [DUR: 70MIN]
9€ (BILHETE NORMAL) | 6€ (DESCONTO) | >12

 

Formação, Residência Artística, Criação e Circulação Teatral, Edição

Duo de voz e percussão para sala com piso inclinado. Repetição sobre o absurdo, encruzilhada da paixão e da revolta. Desferir golpes de vista ao mito implacável, inactual: sisífico o espectáculo começa como acaba, duas vezes. De bom humor, está seco, pó, demasiado e suor.

O sentido do mito de Sísifo oscila entre a futilidade do castigo a que o herói é submetido e o questionamento reiterado da autoridade. Nesta medida, ele permite desenvolver uma crítica às ideias de completude, finalidade e utilidade que governam a ideologia dominante na nossa cultura ocidental, dita democrática e desenvolvida. Dado o seu grau de ambivalência e abertura, o mito permite reformulações que respondam às conjunturas particulares de cada época e cultura, pelo que este projecto explora a ideia de absurdo nele inscrita, partindo do reconhecimento de que vivemos um tempo de racionalismo tecnocrático e de geral mobilização para a produtividade, paradoxalmente ou talvez não, sustentado numa crescente infantilização dos indivíduos. Assim entendido, o mito de Sísifo não é tanto uma oportunidade de afirmar, com Camus, que há uma consciência da agência individual que susbsiste à ausência global de sentido da vida humana, mas constitui antes a matéria simbólica que permite defender a necessidade absoluta da actividade artística no enfrentamento das lógicas economicistas que procuram governar. Pois o exame do mito não revela o herói apenas inscrito na repetição de uma tarefa sem sentido mas dá-nos a ver alguém implicado num infindável processo de tentativa e falhanço. De certo modo, este compromisso com um conjunto de instruções e regras tende para a experiência da exaustão e para o aparecimento de formas singulares da subjectividade, ganhando a dimensão de um potencial libelo à resistência. Trata-se, portanto, de um retrato de dispêndio gratuito e de excesso desnecessário que poderia muito bem ser o do artista enquanto jovem.

No âmbito do processo de pesquisa e criação do espectáculo realizou-se uma acção de formação destinada a estudantes e profissionais das artes, sobre práticas e procedimentos performativos que lidam com o despropósito, a inutilidade e o dispêncio. Além disso, o projecto prevê a publicação de uma edição de autor da partitura e do texto do espectáculo, num volume compreendendo imagens originais e um exercício crítico de José Miranda Justo em torno da temática do absurdo tal como é explorada nesta proposta.

 

/ ficha artística e técnica

Criação Alexandre Pieroni Calado/João Ferro Martins
Voz off Imogen Watson
Música João Ferro Martins
Arranjo no tema «Poeira» Filipe Raposo
Texto do Programa José Miranda Justo
Direcção Técnica André Calado
Produção Executiva e Comunicação Marta Rema

/ biografias aqui

 

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marcações e reservas
bilheteira abre 1h antes do início do espetáculo
912 191 940 (reservas entre as 16h e as 20h, em dia de espetáculo até à hora de início do mesmo) ruadasgaivotas@teatropraga.com

SLOPE AND INCLINATION

Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins

NOVEMBER 5 TO 6 | SATURDAY AND SUNDAY | 9.30PM| [DUR: 70MIN]
9€ (NORMAL TICKET) | 6€ (DISCOUNT) | >12

 

Training, Artistic Residency, Creation and Theatrical Circulation, Edition.

Voice duo and percussion to a room with sloped floor. Repetition about the absurd, crossroads of passion and revolt. To strike view scams to the relentless myth, inactual: sisyphean, the show starts as it ends, twice. On a good mood, it is dry, dust, too much and sweat.

The meaning of the myth of Sisyphus oscillates between the futility of the punishment that the hero undergoes and the reiterated questioning of authority. To that extent, it allows you to develop a critique of the ideas of completeness, purpose and usefulness that govern the dominant ideology in our Western culture, said democratic and developed. Given its ambivalence and openness degree, the myth allows reformulations that respond to particular situations of every age and culture, so this project explores the idea of absurd inscribed in it, based on the recognition that we live one time technocratic rationalism and of general mobilization for productivity, paradoxically or not, sustained in a growing infantilization of individuals. Understood like this, the myth of Sisyphus is not so much an opportunity to say, with Camus, that there is an individual agency’s consciousness that susbsists the global meaninglessness of human life, but is rather the symbolic matter that allows to defend the absolute necessity of artistic activity in facing economistic logics that seek to govern. For the examination of the myth does not only reveal the hero inscript in the repetition of a meaningless task but gives us to see someone involved in an endless process of trial and failure. In a way, this commitment to a set of instructions and rules tend to experience the exhaustion and the appearance of singular forms of subjectivity, making the size of a potential libel resistance. It is therefore a free expenditure portrait and unnecessary excess that could well be the artist as a young man.

In the process of research and creation of the show it took place a training course aimed at students and professionals of the arts on performative practices and procedures that deal with the absurdity and the futility. In addition, the project envisages the publication of an author’s edition of the score and the performing text in a volume comprising original images and a critical exercise by José Miranda Justo around the theme of absurdity as is explored in this proposal.

 

/ credits

Criation Alexandre Pieroni Calado/João Ferro Martins
Voice over Imogen Watson
Music João Ferro Martins
Musical arrangements «Poeira» Filipe Raposo
Text José Miranda Justo
Technical direction André Calado
Executive production and Communication Marta Rema

/ biographies here

 

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bookings
Ticket office open 1h prior to the beginning of the performance
(+351) 912 191 940 (week days from 4pm to 8pm, on performance days from 4pm until its beginning) ruadasgaivotas@teatropraga.com