O Declive e a Inclinação / Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins

O Declive e a Inclinação / Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins

O DECLIVE E A INCLINAÇÃO
Alexandre Pieroni Calado . João Ferro Martins

5 e 6 de Novembro | sábado e domingo | 21h30 | [dur: 70min]
9€ (bilhete normal) | 6€ (desconto) | >12

Formação, Residência Artística, Criação e Circulação Teatral, Edição

Duo de voz e percussão para sala com piso inclinado. Repetição sobre o absurdo, encruzilhada da paixão e da revolta. Desferir golpes de vista ao mito implacável, inactual: sisífico o espectáculo começa como acaba, duas vezes. De bom humor, está seco, pó, demasiado e suor.

 

O sentido do mito de Sísifo oscila entre a futilidade do castigo a que o herói é submetido e o questionamento reiterado da autoridade. Nesta medida, ele permite desenvolver uma crítica às ideias de completude, finalidade e utilidade que governam a ideologia dominante na nossa cultura ocidental, dita democrática e desenvolvida. Dado o seu grau de ambivalência e abertura, o mito permite reformulações que respondam às conjunturas particulares de cada época e cultura, pelo que este projecto explora a ideia de absurdo nele inscrita, partindo do reconhecimento de que vivemos um tempo de racionalismo tecnocrático e de geral mobilização para a produtividade, paradoxalmente ou talvez não, sustentado numa crescente infantilização dos indivíduos. Assim entendido, o mito de Sísifo não é tanto uma oportunidade de afirmar, com Camus, que há uma consciência da agência individual que susbsiste à ausência global de sentido da vida humana, mas constitui antes a matéria simbólica que permite defender a necessidade absoluta da actividade artística no enfrentamento das lógicas economicistas que procuram governar. Pois o exame do mito não revela o herói apenas inscrito na repetição de uma tarefa sem sentido mas dá-nos a ver alguém implicado num infindável processo de tentativa e falhanço. De certo modo, este compromisso com um conjunto de instruções e regras tende para a experiência da exaustão e para o aparecimento de formas singulares da subjectividade, ganhando a dimensão de um potencial libelo à resistência. Trata-se, portanto, de um retrato de dispêndio gratuito e de excesso desnecessário que poderia muito bem ser o do artista enquanto jovem.

No âmbito do processo de pesquisa e criação do espectáculo realizou-se uma acção de formação destinada a estudantes e profissionais das artes, sobre práticas e procedimentos performativos que lidam com o despropósito, a inutilidade e o dispêncio. Além disso, o projecto prevê a publicação de uma edição de autor da partitura e do texto do espectáculo, num volume compreendendo imagens originais e um exercício crítico de José Miranda Justo em torno da temática do absurdo tal como é explorada nesta proposta.

 

/ ficha artística e técnica

Criação Alexandre Pieroni Calado/João Ferro Martins
Voz off Imogen Watson
Música João Ferro Martins
Arranjo no tema «Poeira» Filipe Raposo
Texto do Programa José Miranda Justo
Direcção Técnica André Calado
Produção Executiva e Comunicação Marta Rema

/ biografias aqui

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marcações e reservas
bilheteira abre 1h antes do início do espetáculo
912 191 940 (reservas entre as 16h e as 20h, em dia de espetáculo até à hora de início do mesmo) ruadasgaivotas@teatropraga.com

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